Pois, pois....quem consegue dormir com um barulho desses?
São tantas mudanças, tantos planos em suspenso, tanto medo, tanta dor....
Estou tão assustada com a situação da minha mãe....eu deveria ter passado a noite com ela...mas achei melhor descansar, ter algum suporte eu mesma, para estar mais disposta e com mais energia para ajudá-la a ouvir as possíveis notícias desagradáveis da ecografia de hoje.....mas essa não foi a melhor escolha; agora eu vejo que estou muito sensível, carente e deveria ter ficado com ela.
Tenho tantas perguntas....será que é tão anormal assim sentir necessidade não só de suporte emocional, mas de suporte físico também? Um abraço apertado, uma carona, adormecer abraçada, se sentir aconchegada - todo mundo sente falta disso ou eu sou anormal?
Dizem que as dores "físicas" do medo, da solidão, da falta de amor, só são "curadas" através do contato físico, do abraço, do toque, da presença - palavras e intenções podem amainar a dor, mas não ajudam de fato.
E será que existem pessoas que precisam tanto disso (ou até mais) quanto das palavras?
É tão anormal assim querer ter alguém pra dividir as tristezas e alegrias, especialmente quando você nunca teve isso e está passando por uma fase difícil?
Quando eu digo "dividir" não imagino que a outra pessoa tenha de passar pela mesma dor que você - é simplesmente dividir no sentido de estar lá, de "sentir" o outro e não ter medo, não fugir.
Só que as coisas parecem se confundir, "estar lá" para outro pode não vir acompanhado do "sentir" o outro, e por aí vai.....afinal, somos seres humanos, incompletos por natureza, emocionais e racionais ao mesmo tempo....uma confusão de interpretações - esse é normalmente o resultado de qualquer "troca"; seja racional, emocional, física ou, pior ainda, a mistura desses elementos.
Hoje em dia me parece que tudo é interpretado tendo o sexo como ponto de "colisão": ou ajuda ou piora; muito, mas muito raramente mesmo, completa.
Não sou tão boba nem tão imatura a ponto de achar que a união entre duas pessoas e o suposto suporte, presença e etc, seja a solução para todas as dificuldades da vida - mas acredito sim que pode ajudar e muito, especialmente em casos como o meu, quando a pessoa não só nunca teve, como passou a vida sendo rejeitada das mais diferentes maneiras.
Enfim, cada um tem seu ponto de vista misturado com a própria experiência de vida, e, para mim, sei que seria o maior presente, a maior benção que eu poderia receber nessa vida.
As vezes aparecem pessoas que me surpreendem, encantam, fazem sonhar com essa benção....mas a vida é tão cheia de confusões, desencontros, momentos errados.....fico impressionada com a minha habilidade em acertar os momentos errados....
Acho que vou voltar a dormir no hospital até minha mãe ter alta.... não tenho como protege-la do sofrimento nem sequer sei se consigo mesmo ajudar - mas eu, Marina e filha, posso tentar.
Pode ser uma tentativa imperfeita, insegura, até desequilibrada; mas vou tentar pois eu sei o quanto dói não ter um sentimento de proteção, por mais irreal e imperfeito que seja.
Sinto que estar presente independentemente do desconforto, dos riscos, dos medos, da confusão, da incerteza, das consequências, é o verdadeiro significado do ajudar, do simples ato de ajudar alguém que é importante, alguém que "vale a pena".
Até porque, isso é o mais importante: "valer a pena", ser e se sentir digna de um esforço, de um risco....