quinta-feira, 30 de junho de 2011

fim da 1a etapa

Nossa.....quanto sufoco!
A cirurgia durou 4h e teve bons e não-tão-bons resultados.
A notícia boa é que ela não sangrou muito e os linfonodos não estavam comprometidos, daí não foi necessário retirar todo o músculo da região da axila.
Porém foi feita uma mastectomia, o tumor era maior do que aparentava ser e não puderam preservar nada. E ela estava tão feliz que não iria perder o mamilo!
Dentre os males, esse é o menor, melhor é saber que o risco de metástase não é tão grande quanto costuma ser em câncer recidivo.
Mas minha nossa senhora, que epopeia tem sido até agora!
Primeiro o frio aqui no Sul está insuportável, cheguei e fui comprar pijamas bem quentinhos, cobertor de microfibra, meias de lã e pantufas para ela não correr o risco de passar mal devido ao frio enquanto estiver internada.
Daí começou a chover, o frio aumentou e atolamos o fusca num poço de lama por mais ou menos umas 2 horas - me ensopei inteira de barro e chuva enquanto empurrava o fusca sozinha.....resultado: uma gigantesca crise de asma! Só hoje estou conseguindo falar e andar normalmente, tamanha foi a crise.
Ao mesmo tempo minha mãe passou mal e vomitou 'a noite inteira...detalhe: acabou a água e não tínhamos nem como lavar as mãos. Num frio de -2'C, subimos até a caixa d'água (que fica no topo da colina atrás de casa) e o cano que sai do poço estava quebrado....um sonho!
Enfim, tudo está indo bem, minha mãe está ótima (chega a estar linda de tanta força interna!) e eu estou lidando com as coisas 'a medida que elas acontecem - o que, pra mim, é quase como que uma bênção.



terça-feira, 28 de junho de 2011

quando tudo parece certo...

logo chegam notícias mostrando que nada é certo....
Aparentemente (dizem os médicos) o quadro da minha mãe não é tão positivo quanto se pensava: a cirurgia vai ser grande e de alto risco....ela agora vai ter que ficar internada de 7 a 10 dias em observação - antes eram apenas 2....
Não sei mais o que pensar, não sei como pensar e sentir que tudo vai dar certo....já nem sei o que "dar certo" significa frente ao quadro dela e 'a nossa vida....nem sei mais.
Pra que não faltasse a querida azeitona no topo da empada, minha única amiga em Porto Alegre está no Tibet (eu mereço!!!!!!!!!!) e agora não tenho onde ficar hospedada.
Agora, só rezando e deixando a vida levar....fazer planos, pra quê?
Já nem sei se volto pro cursinho....já nem sei.
Ai que vontade de gritar....

Paralelo 30

Tá marcado, passagem comprada, vou pra Porto Alegre, tchau.
A cirurgia da minha mãe será dia 30 de Junho e eu embarco um dia antes.
Estou feliz por estar indo, pois sinto na voz dela o nervosismo e o cansaço....só rezo, rezo e rezo pra conseguir segurar a barra das minhas emoções....
Sei que não vai ser nada fácil, não sei se vou conseguir ou se vou ser suficiente, mas com certeza irei dar o melhor de mim e com todas as minhas forças.
ah....tenho tantas coisas pra falar, pra chorar, pra entender....mas não vou deixá-las sair - o que importa agora é o que a minha mãe tem a falar, a chorar, a entender, a lutar.
Meu Deus, como pode a vida ser tão intensa e triste assim?
Como pode uma pessoa fechada e séria como eu encontrar alguém que me despertou algo nunca antes sentido, e eu não posso sequer me deixar apaixonar por ele?
A vida as vezes nos atinge como um raio, um furacão....a confusão que fica depois é que é o mais difícil de lidar....
Já entendi que meu papel e único foco agora é ajudar o furacão que está arrasando a vida da minha mãe - a minha fica em suspenso, pra depois.
Tirando o foco de mim eu talvez consiga ser uma filha melhor, um bom suporte pra minha mãe que está sofrendo tanto.
E lá vou eu.


domingo, 26 de junho de 2011

Vai-te, Poesia!



Vai-te, Poesia!

Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.

Vai-te, Poesia!

Não quero cantar.
Quero gritar!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O início...

Agora sim...agora o temido momento vai se concretizar e mais rápido do que eu esperava: a cirurgia da minha mãe será no dia 30 de junho....será uma mastectomia e os linfonodos estão comprometidos....e isso é o que mais me preocupa. E muito.
Sinto uma mistura dolorida de sentimentos.....como sempre, vou sozinha para Porto Alegre e ficarei sozinha com ela na hora da cirurgia - não há nada mais angustiante do que a espera solitária em um hospital.
Não sei como vou lidar com tudo isso sozinha....estou com muito medo de desabar na frente da minha mãe....de não conseguir ser tão forte quanto preciso ser...o que eu mais queria era ter uma companhia, um suporte, alguém que estivesse junto nem que fosse só para mostrar que eu e ela não estamos sozinhas nesse mundo.
Mas nós estamos, sempre estivemos, a verdade é essa.

Hoje obtive a realização de que não há esperança alguma com relação ao homem que mencionei em meus posts passados.
Lógico que estou triste, lutando pra não perder de vez a minha já inexistente auto-estima e pra não me sentir uma completa idiota por ter exposto (em poucas e rápidas palavras) o que eu senti (e sinto) por ele em tão pouco tempo.
Mas ao mesmo tempo estou contente porque sei que é melhor assim, porque me orgulho de ter conhecido uma pessoa tão ética e tão correta e porque o que eu mais quero é que ele seja feliz.
Eu ficaria arrasada se meu apego egoísta trouxesse infelicidade e, dado o sentimento que me invadiu, ficou claro para mim que eu não conseguiria levar em frente como uma brincadeira. Fiquei tão tocada pela atitude dele que gostaria de agradecê-lo pela beleza que ele me fez conseguir enxergar em um homem - sou extremamente grata por isso e também porque agora sei que posso sentir algo muito profundo que eu antes desconhecia....muito obrigada por esse presente, irei guardá-lo e lembrá-lo para sempre.
Acho que é como eu sempre digo pra mim mesma: nada acontece por acaso, nada.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Será?

Tá tão difícil conciliar as tarefas do dia a dia...tá quase impossível estudar, focar a mente....será que eu sou tão fraca assim? Será que é mesmo tão fácil manter tudo como antes, estudar com mais afinco, ter certeza de que tudo vai dar certo? Será que outra pessoa no meu lugar estaria lidando melhor com tudo isso?
Na maioria das vezes, todos os dias, acredito que sim.
Será que só eu sofro por estar completamente sozinha, passando os finais de semana sem contato nenhum, sem amigos com quem conversar, sem namorado pra dormir juntinho, sem família pra desabafar e confiar que não estou sozinha? Minha família inteira mora em Santos e fazem mais de 3 semanas que não vejo nem converso com ninguém....minha mãe teve uma hemorragia durante a biópsia e é como se nada tivesse acontecido.
Eu mando mensagens, vou visitar, peço se posso ir almoçar junto algum dia que não incomode - mas é como se nada estivesse acontecendo, nenhum abraço de conforto, nada.
Será que outras filhas únicas de mãe solteira são tão mais fortes do que eu numa situação dessas?
E a maioria dos vestibulandos de Medicina como eu conseguiriam estudar e passar na USP ou UNIFESP, ou em qualquer outra universidade???
As cobranças (explícitas, implícitas e subentendidas) são tantas....não sei como estou conseguindo manter essa máscara de bom humor e normalidade quando me relaciono com as pessoas....acho que eu tenho é medo de ser rejeitada caso eu tire essa máscara.
Normalmente é isso que as pessoas fazem: se afastam.
A solidão é como um parasita que me suga dia após dia....
E como dói ter encontrado um homem que eu realmente admiro e me interesso, mas não poder tê-lo, nem perto nem longe, por mais que eu queira e me esforce.
Como eu queria poder conversar com alguém que me entendesse e pudesse me dar algum conforto, algum carinho, um abraço apertado, uma presença.




sábado, 18 de junho de 2011

Amores

O tópico da solidão sempre me leva a pensar no amor, afinal eles são interdependentes, não é mesmo?
Essa semana eu tive uma triste realização: percebi que os poucos homens com quem me relacionei, assim como aqueles que se aproximam de mim hoje, só queriam me levar pra cama, só queriam isso e mais nada.
Pois é, eu sei, demorei pra perceber.....mas sou um tanto quanto inexperiente nesse aspecto, devo confessar.
Percebi também que nunca nenhum homem se interessou por mim como pessoa, como mulher, nunca ninguém quis "me conhecer melhor", entende?
Nossa.....estou tão triste e chocada com essa "descoberta"....pelo fato de ser tão tardia, por me fazer sentir como um objeto descartável, pelo medo de não encontrar alguém que não me veja somente sob a luz do desejo e ficar sozinha, sem companhia, sem ter com quem dividir essa vida, sem ser amada mas, acima de tudo, sem poder amar.
Esse é um tópico muito difícil pra mim.
Ainda mais porque acredito que finalmente encontrei um homem sincero, honesto, que possui qualidades que me encantam cada vez mais, que eu sinto que algo interno como que reverbera em mim (espero que nele também), que eu adoraria passar mais e mais tempo perto dele, conhecê-lo, tocá-lo, enfim, ama-lo.
Eu sei que é um homem especial: é especial para mim.
Nós sabemos quando um sentimento é real, e eu sei que esse é.
É, até hoje, o único com o qual eu me casaria (sendo que nunca cogitei essa hipótese com nenhum outro homem), o único que me faz sonhar em dividir a vida - é um homem que eu quero amar, não somente ser amada. Isso é e faz toda a diferença.
Mas....essa vida é cheia de mas....especialmente a minha.
Mas......

Medos...

Desde que me conheço por gente, desde as minhas mais remotas lembranças, o medo foi sempre uma constante, uma quase-entidade, sempre presente: medo de cachorro, de ser abandonada, de não ser amada, de perder minha mãe (já que ela saía para trabalhar muito cedo e só voltava 'a noite, quando eu já estava dormindo), de ficar sozinha....
Chega a ser irrelevante dizer que todos esses medos persistem até hoje, logicamente modificados, alguns atenuados, outros em paz: eu absolutamente adoro cachorros, sendo esse o único medo genuinamente infantil - os outros todos tem uma longa história, proibida para menores.
Mas o terror dos meus dias e noites, o que me corrói por dentro, que mina todos os meus esforços fazendo-os parecerem inúteis, é a solidão e o medo da solidão.
Meu Deus... que sentimento mais horrível, de uma força absurda, uma coisa que passa de sentimento 'a sensação de mal estar físico....as vezes eu não entendo como consegui sobreviver todos esses anos com esse fantasma...no início era timidez, depois virou asma, depois.....não quero falar sobre esses depois, até hoje.
O câncer da minha mãe elevou a solidão e o medo da solidão a níveis antes inimagináveis......as vezes, choro tanto que chego a sentir dor, as vezes acordo soluçando no meio da noite...
E o que mais dói é ver que eu sou a única pessoa que a minha mãe tem, seu único suporte - mas como posso dar um bom suporte se eu mesma não tenho? A única pessoa que me dá suporte é ela, mas.......daí entra a solidão, mais uma vez.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Manuel Bandeira


Quando estás vestidas,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite

domingo, 12 de junho de 2011

Smile

O diário de bordo da viagem do câncer da minha mãe chega a mais um ponto marcante: amanhã, dia 13, é o dia da biópsia.
Ela vai acordar 'as 3:30 da manhã (já que ela mora em um sítio na Serra Gaúcha), pegar o Fusquinha, ir até a cidade mais próxima para pegar o ônibus gratuito da Prefeitura que leva os doentes do SUS que precisam de tratamento em Porto Alegre. Chega no Hospital da PUC 'as 7:30, a biópsia está marcada para as 14h.
Isso tudo sozinha, com 62 anos de idade - uma mulher de fibra, que já sofreu muito.
Acabei de conversar com ela e a sua fortaleza interna sempre me emociona.
Mal consigo enxergar a tela do computador nesse momento.
Meu maior desejo era de poder estar junto dela, acompanhando, minimizando o cansaço, a dor, a solidão, o sentimento de vulnerabilidade.....mas não tenho dinheiro para ir e voltar de SP-RS tão rápido, não posso perder as aulas do Cursinho de agora, pois de tudo isso priorizei gastar e perder o que tiver que perder quando ela for fazer a cirurgia....daí não vai ter dinheiro, nem aula, nem nada que me segure aqui, longe dela.
Como eu sei que ela sofre durante a biópsia pois é muito dolorida, meu tempo amanhã será todo focado nela, pois se pensamentos e sentimentos ajudam eu não sei, só sei que não posso perder a única chance que tenho de oferecer algum conforto para ela, que sempre me deu tanto.
Fico aqui com o magnífico Charles Chaplin, perfeito para o momento:

Smile

Smile
Though your heart is aching
Smile
Even though it's breaking,
When there are clouds in the sky - You'll get by,
If you
Smile through your fear and sorrow,
Smile and maybe tomorrow
You'll find that life is still worthwhile,
If you just..

Light up your face with gladness,
Hide every trace of sadness,
Altho' a tear may be ever so near,
That's the time you must keep on trying,
Smile - What's the use of crying,
You'll find that life is still worthwhile,
If you just smile.

Though your heart is aching
Smile
Even though it's breaking,
When there are clouds in the sky - You'll get by,
If you
Smile through your fear and sorrow,
Smile and maybe tomorrow
You'll find that life is still worthwhile,
If you just smile.
  ......That's the time you must keep on trying,
Smile - What's the use of crying,
You'll find that life is still worthwhile,
If you just smile.

sábado, 11 de junho de 2011

em homenagem 'a minha mãe

Seu poema favorito:


INSTANTES

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da vida, claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas. Se voltasse a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas já viram, tenho oitenta e cinco anos e sei que estou morrendo.
(Jorge Luís Borges)

......

...a coisa tá feia....tô chorando com a novela das nove.....vou tomar um porre e hibernar o dia inteiro amanhã.
Deixo um dos meus poemas\músicas favoritos:


Metade

Oswaldo Montenegro


Que a força do medo que tenhoNão me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Dia dos Namorados


Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

Pois é....é tão estranho quando alguma força externa nos faz enxergar o quanto mudamos....no meu caso, mudei tanto que quando me dei conta foi como nesse poema: "em que espelho ficou perdida a minha face?"
Assusta, pois como será daqui pra frente? Só sei que dependerá de mim, como foi até agora - e como eu mal me dei conta enquanto passava - conseguirei lembrar no futuro?
Ai, ai....
E o Dia dos Namorados?
ô data mais infame....para os casais, só serve para....bem, tem lá suas mil e uma utilidades...mas para os solteiros, só serve para uma coisa: ostracismo social (em alguns casos com tendências suicidas!)
Pensem bem, é humilhante passar em meio aquele mar de lojas,  restaurantes, bares, sorveterias, tudo, até filas, banheiros públicos, e tudo que se vê são casais e casais e mais casais e tudo é feito para casais: ofertas, almoços, lanches, sessões de cinemas especiais, até promoções em livrarias for Christ's sake!!!!!!
Agora que já despejei 1% da minha raiva por estar solteira, vou tentar sobreviver a mais um dia dos namorados sozinha  e sem nada para fazer além de estudar ( o que eu me nego).
Pra terminar naquela nota positiva de sempre, eu nunca passei um único dia dos namorados namorando, ou seja, sempre estive solteira.
Agora já cheguei no meu limite, aos prantos e me afundando numa barra de Milka.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ha-ha...

Olha só que coisa.....tô dando graças 'a todo e qualquer Deus que ninguém ainda achou meu blog....tô mesmo me sentindo uma idiota auto-centrada e imatura, bem aquele tipo de garotinha mimimimi que eu detesto - mas sabe que tá me fazendo bem?
Por exemplo, estou proibida de beber bebidas alcoólicas sozinha, só posso tomar aquela caipirinha ocasional, posso até tomar um porre, mas desde de que não seja sozinha. Isso é porque gosto de beber sozinha, principalmente quando estou triste - o problema é que tenho estado triste e sozinha todos os dias.
Pois é...me mudei para Santos para me reaproximar da minha família (acho que não deu muito certo....sei lá), mas raramente os vejo. Moro aqui há quase 2 anos e meio e até hoje não fui sequer uma vez a casa da minha madrinha nem do meu tio.....bem,....acho que fazem bem uns 8 - 10 anos que não vou na casa dele.
Detalhe: eu moro no canal 2 de frente pra praia, eles moram em São Vicente, perto da Ponte Pênsil e trabalham em Santos. Também nunca me visitaram.
Pra fechar, faltei todos os esses dias no cursinho, desliguei o telefone fixo, quase nem saí do meu apê....conexões com o mundo exterior? Uma unica msg de texto de uma colega do cursinho: "cadê vc mulher?" .
Só. Somente só.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Amar

Ainda penso, e não consigo dormir...faltei ontem no cursinho, provavelmente irei faltar hoje de novo já que a insônia parece estar rondando mais uma vez....
Tá difícil estudar, tá difícil focar nas aulas, tá difícil dormir pra acordar pra ir nas aulas!
E os vestibulares, meu deus.....
Dia 19 é a biópsia da minha mãe, a cirurgia deve ser lá por agosto, depois a quimioterapia.....
Não quero ser pessimista, não quero mesmo, mas desse jeito...bye-bye Medicina.
E, com 28 aninhos de idade...sabe-se lá até quando, se.....
A vida, 'as vezes, parece ser do contra....parece até piada de mau gosto!
Mas eu ainda assim sinto que a unica coisa de valor, a unica coisa que fica depois que a gente morre, é o amor.
Então, por mais que doa, por mais que tudo conspire contra, por mais que eu falhe e não consiga entrar em Medicina esse ano, de uma coisa eu tenho certeza: não foi por falta de amar.

1a vez...

Bah, nem sei por que inventei de criar um blog...tenho vontade de dizer algumas coisas, mas não tenho para quem dizê-las....não ter para quem dizê-las é o que me deixa triste....tenho receio do que irão pensar, pois quem não tem ouvintes já pré-conceitua alguém que não tem muito o que dizer - daí o nome do blog.

É um blog meu e para mim, para ver se consigo ouvir meu próprio eco em meio 'a tantos pensamentos, medos, angústias, choros, noites mal dormidas, solidão.

Em especial é um "diário de bordo" da aterrorizante viagem que comecei no Dia das Mães desse ano, quando minha mãe me deu a "coronhada" de que seu câncer de mama havia recidido....desde então embarquei em um navio cujo destino desconheço, num oceano aparentemente sem fim e sem rumo, onde não estou conseguindo lidar bem com tudo que vem e vai....

Sendo filha unica de mãe solteira, o medo de perder minha mãe para sempre me deixa aterrorizada, paralisada, perdida até mesmo nas tarefas do dia a dia.

E não é fácil não ter com quem dividir esses momentos - muito menos encontrar quem queira dividir momentos assim, pois isso incomoda.

Daí o blog, e espero que ninguém leia.