Desde que me conheço por gente, desde as minhas mais remotas lembranças, o medo foi sempre uma constante, uma quase-entidade, sempre presente: medo de cachorro, de ser abandonada, de não ser amada, de perder minha mãe (já que ela saía para trabalhar muito cedo e só voltava 'a noite, quando eu já estava dormindo), de ficar sozinha....
Chega a ser irrelevante dizer que todos esses medos persistem até hoje, logicamente modificados, alguns atenuados, outros em paz: eu absolutamente adoro cachorros, sendo esse o único medo genuinamente infantil - os outros todos tem uma longa história, proibida para menores.
Mas o terror dos meus dias e noites, o que me corrói por dentro, que mina todos os meus esforços fazendo-os parecerem inúteis, é a solidão e o medo da solidão.
Meu Deus... que sentimento mais horrível, de uma força absurda, uma coisa que passa de sentimento 'a sensação de mal estar físico....as vezes eu não entendo como consegui sobreviver todos esses anos com esse fantasma...no início era timidez, depois virou asma, depois.....não quero falar sobre esses depois, até hoje.
O câncer da minha mãe elevou a solidão e o medo da solidão a níveis antes inimagináveis......as vezes, choro tanto que chego a sentir dor, as vezes acordo soluçando no meio da noite...
E o que mais dói é ver que eu sou a única pessoa que a minha mãe tem, seu único suporte - mas como posso dar um bom suporte se eu mesma não tenho? A única pessoa que me dá suporte é ela, mas.......daí entra a solidão, mais uma vez.
Nenhum comentário:
Postar um comentário